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Como de costume, durante o mês de fevereiro realizaram as duas semanas de reciclagem promovidas anualmente pela Secretaria de Formação Permanente. A 1ª Reciclagem aconteceu nos dias 01 a 04, caracterizado principalmente pela participação dos postulantes e por grande parte dos pós-noviços, enquanto a 2ª semana, nos dias 22 a 25, pela participação de frades perpétuos. Os trabalhos iniciaram com a orientação do Ministro Provincial, Frei Sermo Dorizotto, a partir de estudos em grupo da obra de Pior Demianovich Ouspensky denominada: Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido – em Busca do Milagroso. Esta obra, uma das mais conhecidas do autor que nasceu em Moscou em 1878 e morreu na Inglaterra em 1947, trata-se de uma exposição vivida do seu trabalho com Georges Ivanovitch Gurdjieff durante os anos de 1915 a 1918, sob as difíceis condições da guerra e da revolução. No dia seguinte, o professor Edivaldo Bortoleto conduziu a reflexão da manhã fazendo uso de várias referências bibliográficas, sobretudo, de um livro recém publicado do Frei Hermógenes Harada intitulado “De estudo, anotações absoletas: a busca da identidade humana e franciscana”, publicado pela editora Vozes em colaboração com outros organismos franciscanos. A partir do livro citado, professor Edivaldo ressaltou aspectos concernentes à problemática do estudo no franciscanismo. É esclarecedor nesse sentido o que Frei Hermógenes diz a respeito da Ratio studiorum: “refere-se à compreensão essencial do que seja o estudo (...) Compreensão essencial não é propriamente uma compreensão geral, mas sim uma compreensão viva e constante, mais de fundo, que está no núcleo de cada compreensão específica e até mesmo particular. Compreensão essencial se diz em latim Ratio. Daí o título desse documento: Ratio studiorum”. Do mesmo livro, merece uma leitura atenta o capítulo “São Francisco de Assis e os estudos, uma questão”. Professor Edivaldo, não se restringindo aos textos citados, fez uso de tantos outros textos para evidenciar a formação da escolástica franciscana. Aproveitamos para agradecer ao expositor pela contribuição filosófica em nossas Reciclagens e noutras ocasiões. No período da tarde da quarta-feira e durante a manhã da quinta-feira, foram realizados trabalhos em grupo e debates na assembléia a partir das provocações do texto “O Prazer e a Responsabilidade de nos Acompanharmos na Vida Franciscana – relações entre formação inicial e formação permanente na vida franciscana”, síntese de uma conferência de Frei José M. Arregui, OFM., atual provincial de Navarra, na Cracóvia no Congresso de formadores dos Franciscanos Conventuais publicada pela revista Selecciones de Franciscanismo e traduzido por Frei José Carlos Corrêa Pedroso. O autor apresenta “o bonito e complexo processo de formação” a partir da descoberta da riqueza de cada um, das relações interpessoais e da missão a ser desenvolvida pelas fraternidades e pela Província como um todo. Na segunda parte do texto, relativo aos “agentes e responsáveis da formação” ele afirma que a Fraternidade Provincial é responsável pela formação. Ela pode responsabilizar um ou outro para essa ou aquela etapa de formação, mas quem forma é a província. Justamente por isso, a fraternidade provincial tem que ser viva. Não precisamos ter o afã de ser uma província exemplar, que os outros possam olhar pra nos e dizer que somos frades de verdade. Temos que ter pé no chão e cuidar da província, pois ela é o que os frades são. Na terceira parte expõem algumas problemáticas como o cuidado das “vidas feridas”, a formação de formadores, a ruptura entre a formação inicial e a vida provincial e a formação para a instituição. Concluindo o texto, o autor apresenta o franciscanismo como uma esperança para a Igreja e para o mundo. Agradecemos aos membros da Secretaria de Formação Permanente pela organização da reciclagem e a participação de todos frades pela contribuição nas reflexões. Frei José Gomes de Sousa Junior Frei Francisco Erlânio Gomes Ribeiro |